Recife – Refinaria Origem do “Conjunto Fabril da Tacaruna”

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Imagem: Google Street View

FUNDARPE – Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco
Nome atribuído: Edifício da antiga refinaria que deu origem ao “Conjunto Fabril da Tacaruna”
Outros Nomes: Antiga Usina Beltrão
Localização: Recife-PE
Região: RD 12 – Região Metropolitana
Nível de Proteção: Tombado
Número: 50
Descrição: A área conhecida hoje como Tacaruna, que faz divisa entre os municípios de Recife e Olinda, começou com a implantação, pela Companhia Industrial Açucareira, em 1890, da Usina Beltrão, a primeira e mais moderna refinaria da América do Sul.
Havia no grandioso projeto da Usina uma preocupação estética e técnica, desde sua concepção até a construção. Em 1895, as obras da Usina foram concluídas.
De acordo com Rocha (2012, p.17), ao Estado de Pernambuco, sendo um dos maiores produtores de açúcar no Brasil, coube a primazia de implantar a primeira e mais moderna refinaria da América do Sul – a Usina Beltrão, cujo projeto inicial determinava como local de instalação o Engenho Bulhões, que ficava à margem da Estrada de Ferro Central de Pernambuco, no município de Jaboatão. Ali residiam os imigrantes europeus e o objetivo era facilitar os meios e preços compatíveis com a qualidade de seus trabalhos.
Na obra da Usina, foram considerados detalhes até aquele momento pouco ou nunca utilizados como, por exemplo: uso do concreto armado em um estabelecimento industrial; instalação de luz elétrica; criação de cooperativa com sistema de atendimento médico e construção de moradia para os funcionários e operários da usina; e sistema de água canalizada para a operação das máquinas.
Sendo a primeira construção em concreto armado do Brasil e tendo, à época, como diretor geral, o engenheiro civil Antônio Carlos de Arruda Beltrão e como presidente, Pedro da Cunha Beltrão, a Usina Beltrão foi criada com os seguintes propósitos: compra e venda de produtos de baixa qualidade da indústria açucareira nacional; fundação de duas grandes refinações de açúcar: uma no Rio de Janeiro e outra no Recife, para produzir álcool puríssimo e esterilizado e, por fim, montar indústrias desse gênero em todo o Brasil. O que de início chamava mais a atenção na construção era a chaminé de 75 m de altura, que era considerada a mais alta da região.
Segundo Rocha (2012, p.28), com o insucesso da colonização europeia em Pernambuco, em virtude da não adaptação climática, e sendo a atividade açucareira considerada pelo colono um trabalho grosseiro (mesmo com o apoio do governo do Estado), os imigrantes foram se deslocando para o eixo Sul-Sudeste do País. Os planos então começaram a ser modificados, passando a Usina a ser implantada no município de Olinda a partir de 4 de novembro de 1891.
Desassistida pelo governo por causa da instabilidade da economia brasileira, a produção açucareira de Pernambuco passou por constantes oscilações, tendo a situação se agravado durante a aguda crise no setor em 1897 com a perda de mercados externos, os quais, segundo Rocha (2012, p. 105), em sua maioria, eram “ditados pela política protecionista adotada pelos grandes países consumidores de açúcar da Europa e dos Estados Unidos”.
Uma das grandes falhas do nosso país em relação à crise açucareira, ainda segundo Rocha (2012, p. 69), foi que a produção era voltada quase que exclusivamente para atender a herança colonial. Afirmando que o açúcar produzido com técnicas rudimentares e ultrapassadas “era entregue em péssima qualidade e colocado a preços baixos, sujeitos às leis imediatas da procura e da oferta, reguladas pelos especuladores”.
Em 1899, a Usina Beltrão é comprada pela firma Cunha & Gouveia, liderada pelo empresário cerarense Delmiro Gouveia e pelo usineiro José Maria Carneiro da Cunha.
A perspicácia comercial de Delmiro Gouveia inquietava-se com o problema. Via na indústria açucareira o sustentáculo da vida econômica de Pernambuco e, no entanto, sujeita às oscilações do mercado, impelida à bancarrota naquela estreita conjuntura. Por isso, adquire a Usina Beltrão, na esperança de levar adiante os audaciosos projetos de seu construtor (ROCHA, p.70).
Na administração de Delmiro Gouveia, foram feitas muitas inovações, como a aquisição de novo maquinário e produtos químicos de Liverpool na Inglaterra e Bremen na Alemanha, os quais chegaram a partir de novembro de 1899 e tiveram sua última remessa em janeiro de 1901.
Delmiro mantinha o apoio e a amizade com os políticos oposicionistas da época, e esse fato, aliado ao seu prestígio social e êxito financeiro, afrontava os políticos da situação, que começaram a pressionar e prejudicar o fornecimento da cana e açúcares brutos para a usina. Os usineiros e donos de engenho sofriam ameaças, da esfera dominante, de tal gravidade que chegaram a incendiar o Mercado Coelho Cintra ou Mercado do Derby como represália.
As incessantes ameaças políticas a Delmiro Gouveia e as consecutivas crises no setor açucareiro obrigaram a Usina Beltrão a fechar suas portas, assim permanecendo por 27 anos.
Delmiro, então, embarcou para a Europa em 1900 e regressou dois anos depois, mas, apesar de haver mudado a administração de Pernambuco (era então o Conselheiro Antônio Gonçalves Pereira quem governava) a política dominante era a mesma e logo voltaram as intrigas e perseguições, motivo pelo qual Delmiro mudou-se para o sertão alagoano de Pedra, município hoje chamado Delmiro Gouveia. E ali lhe foi negado mais uma vez apoio governamental à reativação da maior refinaria da América do Sul.
A firma Mendes Lima & Cia. assumiu o controle de 1917 a 1924.
O conjunto edificado é adquirido, em 1924, pela Companhia Manufatora de Tecidos do Norte, que o transforma em indústria têxtil, passando a se chamar Fábrica Tacaruna. Funcionou prosperamente por três décadas: de 1925 a 1955.
No período de 1960 a 1963, a fábrica teria passando a fabricar cobertores de luxo do tipo lã e sintético, alcançando o auge de sua produtividade.
Quando o controle acionário da indústria foi assumido pela Tecelagem Parahyba do Nordeste, da família Severo Gomes, em 1975, a produção de luxuosos produtos foi então substituída pela produção de cobertores vendidos a preços populares.
O funcionamento da fábrica era favorável até 1980, quando a produção começou a diminuir rapidamente, vindo a ser desativada em 1982. Posteriormente, foi entregue ao Banco Econômico, como pagamento de dívidas.
Em 1994 o espaço foi tombado como Patrimônio Histórico e Artístico pelo Governo estadual e, em 1996, foi declarado de utilidade pública para fins de desapropriação.
A partir do ano de 1998 iniciaram-se os estudos para a implantação do novo uso do espaço da fábrica, que se transformaria em um Centro cultural.
Em 2000, na gestão de Jarbas Vasconcelos, o Governo do Estado definiu o que poderiam ser os rumos definitivos da Tacaruna. O Executivo adquiriu, junto ao Banco Econômico, o edifício histórico. O Governo anunciou que aquela pretendia ser a “maior investida na área cultural em Pernambuco: a criação e instalação do Espaço Cultural Tacaruna” (ROCHA, 2012, p. 116).
Reformas seriam necessárias para atender às necessidades dos novos objetivos do edifício: ser um espaço apropriado para exposições, local para teatro, dança, cinema, auditórios para palestras e apresentações musicais, com centro gastronômico, regional e livrarias especializadas em arte. Entre 2003 e 2005, foram realizadas obras que incluíam a recuperação do sistema de cobertura do prédio central e a restauração da fachada frontal. A segunda etapa das obras começou em junho de 2006: pavimentação de toda a área externa e da via local que dá acesso ao pátio do estacionamento.
No dia 09 de junho de 2006, uma ordem de serviço foi assinada, pelo então Governador Mendonça Filho, no valor de R$ 4,9 milhões para as obras de urbanização e paisagismo da Fábrica Cultural Tacaruna. Estava prevista na ordem de serviço a conexão do principal acesso da Fábrica na Avenida Agamenon Magalhães com uma via interna situada atrás do imóvel, local onde se encontra o estacionamento do Centro de Convenções.
Paula Peixoto, gerente da Fábrica Cultural Tacaruna, de acordo com Governador (2006, p. 7), declarou que o projeto foi instalado em três etapas: a primeira foi concluída em 2004 (sistema de cobertura, recuperação estrutural e revestimento da fachada principal); a segunda etapa abrangia a urbanização e o paisagismo da área, e a terceira, englobando a maior parte dos investimentos, (R$ 9 milhões) era destinada aos serviços de restauração e novas instalações no edifício histórico da Fábrica Tacaruna, mas até aquele momento não haviam sido iniciadas as obras. Ainda segundo a gerente, com uma área de 5,5 mil m², o complexo cultural seria destinado a eventos de grande porte, com capacidade para 25 mil pessoas, e possuiria algumas praças, a primeira dando acesso ao hall principal do prédio, Praça das Artes, para exposições no entorno da chaminé principal, e a Praça de Eventos, onde seriam realizados os shows de médio porte.
A partir de 2009, a Tacaruna passou a ser controlada pela Secretaria da Criança e da Juventude do Governo do Estado com o intuito de ali instalar o Centro da Cidadania Padre Henrique. A ideia era transformar a Fábrica numa Estação Central da Cultura pernambucana.
Pretendia, o então secretário adjunto Fernando Silva, conforme relata Rocha (2013, p.68), entregar, até 2014, “um belo equipamento à sociedade pernambucana”. Para tanto era prevista a readequação da estrutura física para o desenvolvimento de atividades técnicas, artísticas e culturais e de socialização direcionadas ao público jovem de baixa renda, alunos de escolas públicas ou em situação de vulnerabilidade.
Até bem pouco tempo, o monumento servia de palco para diversas manifestações artísticas, inclusive prévias carnavalescas com megaestrutura, porém o Ministério Público proibiu tais eventos no local.
Fonte: Fundaj.

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